"É preciso termos cuidado". Proteção Civil preocupada com o número de ignições

"É preciso termos cuidado". Proteção Civil preocupada com o número de ignições

O dispositivo de combate a incêndios rurais entra hoje na capacidade máxima. É o terceiro reforço este ano. A maior preocupação da Proteção Civil é o risco de novas ignições.

Sara de Araújo de Almeida com Eduarda Maio - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: António Antunes - RTP

São mais de 15 mil operacionais, mais de três mil veículos, e mais de 80 meios aéreos. Esta é a fase Delta, o terceiro reforço de meios este ano. O dispositivo de combate a incêndios rurais entra hoje na capacidade máxima, numa altura em que uma onda de calor começa a atravessar o país. Esta fase vai durar até ao final de setembro. Para o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre, a maior preocupação é o número de ignições.

"É preciso termos cuidado, é preciso com base no calor , inclusivamente e no aumento significativo do risco de incêndio, é preciso que tenhamos a consciência enquanto cidadãos, enquanto portugueses, que não podemos ter práticas que venham a resultar em ignições. Este é o grande desígnio de todos e este é o maior apelo que fazemos. E o nosso dispositivo está preparado, está coeso, está forte, foi sujeito a um conjunto muito significativo de treinos operacionais para estarmos o mais preparado possíveis", explica Mário Silvestre no "Ponto Central", da RTP Antena 1. 
Este ano o dispositivo de combate a incêndios conta com várias novidades. Vai ter dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea Portuguesa que vão permitir uma "capacidade diferenciada de projeção de equipas de 12 homens".

E vão usar retardante em mais do que um centro de meios aéreos. No ano passado só usaram num, este ano vai estar disponível em cinco centros. "Este ano é expandir essa capacidade, uma vez que os resultados foram bastante positivos é expandir essa capacidade (...) O que nos permitirá , mais uma vez é reforçar o ataque inicial, ou seja, sair com estas aeronaves em ataque inicial para que a utilização do retardante permita eliminar rapidamente o foco de incêndio ou pelo menos atrasar a sua propagação até que cheguem os meios de combate a incêndios terrestres e aéreos", conta o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Os incêndios do ano passado ajudaram a Proteção Civil a identificar alguns erros e a melhorar o dispositivo para este ano. Mário Silvestre garante que o "dispositivo está preparado". "Foi sujeito a um conjunto muito grande de treinos operacionais para, no fundo, implementarmos ou corrigirmos aquilo que detetamos. Isto é um processo de melhoria contínua. Agora não vale a pena acharmos que para este tipo de dimensão há dispositivo, seja ele onde for, basta ver os incêndios que tivemos na Califórnia e, portanto, os dispositivos, por muito bom que sejam têm todos eles um limite", termina.
PUB